EUA e Coreia do Sul iniciam manobras militares em momento de tensão

Avião espião U-2 da Força Aérea dos Estados Unidos decola na pista na Base Aérea Americana de Osan em Pyeongtaek, Coréia do Sul, segunda-feira (21) (Foto: Lee Sang-hack/Yonhap via AP)
Avião espião U-2 da Força Aérea dos Estados Unidos (Foto: Lee Sang-hack/Yonhap via AP)

Coreia do Sul e Estados Unidos iniciaram seus exercícios militares anuais conjuntos nesta segunda-feira (21), enquanto o presidente sul-coreano, Moon Jae-In, pedia à Coreia do Norte para não usá-los como desculpa para perpetuar o “círculo vicioso” das tensões.

Milhares de soldados participam da manobra militar “Ulchi Freedom Guardian” (UFG). Baseada em grande medida em simulações por computador, esses exercícios serão realizados na Coreia do Sul e vão durar duas semanas.

Os dois aliados apresentam essas operações como defensivas, mas, para Pyongyang, trata-se de uma repetição provocadora da invasão de seu território. E, todo o ano, ameaça lançar represálias militares.

A China, aliada norte-coreana, voltou a pedir nesta segunda que os dois países suspendam seus exercícios conjuntos e que sejam retomadas conversações para por fim à crise entre Estados Unidos e Coreia do Norte. Pyongyang, por sua vez, criticou os exercícios, dizendo que eles buscam “inflamar uma guerra nuclear na península coreana”.

“A atual situação na península da Coreia é muito sensível e frágil, o que requer que as partes diretamente envolvidas, Estados Unidos e Coreia do Sul, incluídos, façam esforços conjuntos para reduzir as tensões”, afirmou a porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying.

“Isso visa inflamar uma guerra nuclear na península coreana a qualquer custo”, disse a agência de notícias estatal norte-coreana, KCNA. “A situação na península coreana mergulhou em uma fase crítica devido ao imprudente alvoroço de guerra dirigido à Coreia do Norte pelos maníacos de guerra”, acrescenta.

Tensão

A operação de 2017 acontece em um contexto de alta tensão e de guerra retórica entre Washington e Pyongyang.

A Coreia do Norte testou dois mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) em julho, parecendo pôr boa parte do continente americano a seu alcance. Como reação, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou deflagar “fogo e fúria” ao Norte.

Em resposta, Pyongyang prometeu lançar uma salva de mísseis perto do território americano de Guam, no Pacífico. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, decidiu deixar o plano em suspenso, alertando que sua ativação depende apenas do comportamento de Washington.

O presidente Moon ressaltou que o exercício UFG é “puramente defensivo por natureza”. Pyongyang não deve “usá-lo como desculpa para provocações que agravariam a situação”, afirmou.

“A Coreia do Norte deve compreender que suas reiteradas provocações obrigam a Coreia do Sul e os Estados Unidos a realizarem exercícios conjuntos, perpetuando o círculo vicioso”, acrescentou.

‘Lenha na fogueira’

Essas manobras anuais datam de 1976 e levam o nome de um general que defendeu o antigo reino coreano do invasor chinês. Cerca de 50 mil soldados sul-coreanos e 17.500 americanos participam delas. No ano anterior, o efetivo dos EUA chegou a 25 mil homens.

A imprensa sul-coreana informou que Washington cogita abandonar seu projeto inicial de enviar dois porta-aviões para perto da península, no âmbito desse treinamento.

No domingo, o secretário americano da Defesa, James Mattis, desmentiu que os Estados Unidos tenham tido a intenção de acalmar Pyongyang, diminuindo o número de soldados envolvidos no UFG.

Seu número foi reduzido “com a intenção de atingir os objetivos do exercício”, disse ele à imprensa, a bordo de um avião com destino à Jordânia.

O chefe do comando do Pacífico da Marinha americana, almirante Harrys Harris, chegou no domingo à Coreia do Sul para acompanhar os exercícios e discutir a ameaça representada pelos programas balísticos e nucleares da Coreia do Norte.

Na véspera, Pyongyang acusou Washington de “jogar lenha na fogueira”.

O jornal do partido único no poder, “Rodong Sinmun”, advertiu para a “fase incontrolável da guerra nuclear”. Os Estados Unidos “se enganam mais do que nunca”, se pensam que uma guerra “acontecerá em outro país, longe deles, do outro lado do Pacífico”.

Fonte: G1